segunda-feira, 4 de junho de 2012

Câmeras no Banheiro

Foi matéria de telejornal que a instalação de câmeras nos banheiros de escolas tem causado polêmica. A direção de uma das escolas que adotou essa medida diz que o objetivo das câmeras é de auxiliar na segurança da escola, já que o banheiro se tornou um lugar de refúgio para os alunos fazerem tudo aquilo que não podem fazer nas outras dependências da escola. Achei engraçada essa explicação, porque ela se confunde com o próprio significado de banheiro: um lugar para fazer tudo aquilo que não se pode fazer nas outras dependências. O banheiro é um ótimo representante da privacidade, e câmeras no banheiro é uma metáfora ainda mais rica que diz respeito a invasão de questões de foro íntimo. 


Câmeras no banheiro aumentam a nossa paranoia, a vida torna-se mais persecutória. 
Câmeras no banheiro aumentam nossa preocupação com o que o outro está vendo em mim, o que me leva a ser menos eu e mais o outro.
Câmeras no banheiro tiram a nossa liberdade de nos expressarmos espontaneamente e nos levam a fingirmos aquilo que não somos.
Câmeras no banheiro é a intervenção do Estado em questões familiares, como o projeto de lei da palmada que proíbe que os pais disciplinem seus filhos através de uma palmada ou de qualquer castigo físico.  




Até quando vamos permitir que o outro continue colocando câmeras no nosso banheiro? Afinal de contas, se continuarmos permitindo essa invasão, o banheiro deixará de ser o lugar para fazer tudo aquilo que não se pode fazer nas outras dependências.

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