quinta-feira, 7 de junho de 2012

O museu e a vida

Museus são lugares inspiradores, mas esquecidos. Há quem os coloque num lugar pouco privilegiado, acham que museus só falam de passado e, por isso, agem com negligência diante deles. Há também aqueles que supervalorizam os museus, acham que a vida era melhor no passado, acreditam que as coisas nunca mais voltarão a ser como era, é como diz aquela velha frase "a gente era feliz e não sabia". E há um terceiro grupo de pessoas que valorizam os museus, mas não se prendem a eles. De vez em quando elas visitam os museus, não porque acham que a vida era melhor no passado, mas porque sabem que o ser humano não vive sem história e às vezes é preciso resgatá-la.


O museu é apenas uma metáfora, é uma ilustração sobre a arte de lidar com o passado numa cultura que supervaloriza o presente. Acredito que essa crença faz parte do primeiro grupo de pessoas que descrevi, são aquelas que subestimam o passado e vivem o chamado "imediatismo". Ser imediatista é querer que tudo se resolva hoje e a consequência disso é a construção de pessoas ansiosas, já que, na minha opinião ansiedade não é uma preocupação exagerada com o futuro, mas um incômodo insuportável com o presente. O imediatista nega o passado, supervaloriza o presente e se esquece do futuro. 


O segundo grupo é o oposto do primeiro, ele é composto por pessoas melancólicas, pessoas que se entristecem diante do presente, regozijam-se diante do passado e são indiferentes ao futuro. São aquelas que visitam diariamente o seu museu, visitas que indicam uma necessidade de estar em contato com o passado, pois é ele quem dá todo o sentido da vida. Essas pessoas entram diariamente no museu e tentam utilizar aqueles objetos que já não funcionam mais no presente, ou seja, as visitas ao passado tornam-se uma forma de tentar entrar em contato e recuperar objetos que não fazem mais parte da vida. 


Já as pessoas do terceiro grupo entendem a importância do passado, elas conseguem enxergar que num museu existem objetos que não podem mais ser utilizados, estão quebrados ou desatualizados, e, por isso, entendem que eles estão ali, não para serem usados, mas para inspirar uma história, servir de referência e até ajudar na construção da própria identidade. 


Enfim, enquanto o primeiro grupo nega a existência do museu e o segundo grupo vive no museu, o terceiro grupo é aquele que se inspira no museu da vida. Nisso consiste um grande desafio: deixar a negação do passado, visitar o museu, mas não permitir que ele controle a nossa vida.

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