domingo, 3 de junho de 2012

Sobre a difícil e maravilhosa tarefa de começar


O atelier está pronto!

Temos o instrumento, tintas e o desejo de escrever. Confesso que é maravilhoso escrever quando temos uma inspiração, seja algo que o outro nos diz, uma cena do cotidiano ou ainda alguma experiência pessoal. Normalmente, não é isso que acontece, pois na maioria das vezes começo a escrever e só depois surgem as lembranças inspiradoras, ou seja, é preciso começar. Assim também acontece nas nossas vidas, temos ferramentas, recursos e desejo, mas paralelo e contrário a tudo isso, existe a dificuldade em começar algo novo. Talvez a dificuldade em dar início vem do conflito de não entender o nosso desejo e, por isso, não conseguir dar um significado a ele.

Já faz algum tempo que ensaio a criação desse blog, na verdade, a inquietação existe há um bom tempo. Essa inquietação, para mim, funciona como uma “coceira subjetiva”, é algo que começa pequeno e vai crescendo até se tornar insuportável o suficiente para me mobilizar em direção a manifestação de algo que ainda está aqui dentro e não tem nome. É nesse momento que é preciso se aliar às palavras, pois elas podem dar o contorno e a existência daquilo que ainda não é.

As palavras são, por excelência, aquilo que dão significado e elas têm o poder de criar. Deus fundou o mundo através da palavra. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” João 1:1. Interessante que Deus criou o mundo não através de um substantivo, um pronome ou um adjetivo, mas a partir de um verbo, algo que indica movimento e ação. Enfim, não basta ser palavra, é preciso colocar em movimento.

Que as nossas palavras sejam mais verbos do que substantivos e que elas não apenas deem nome, mas movimentem nossos desejos a fim de que eles nos preparem para novos inícios. 

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