O atelier está pronto!
Temos o instrumento, tintas e o desejo de escrever.
Confesso que é maravilhoso escrever quando temos uma inspiração, seja algo que
o outro nos diz, uma cena do cotidiano ou ainda alguma experiência pessoal.
Normalmente, não é isso que acontece, pois na maioria das vezes começo a
escrever e só depois surgem as lembranças inspiradoras, ou seja, é preciso
começar. Assim também acontece nas nossas vidas, temos ferramentas, recursos e
desejo, mas paralelo e contrário a tudo isso, existe a dificuldade em começar algo
novo. Talvez a dificuldade em dar início vem do conflito de não entender o
nosso desejo e, por isso, não conseguir dar um significado a ele.
Já faz algum tempo que ensaio a criação desse blog, na
verdade, a inquietação existe há um bom tempo. Essa inquietação, para mim, funciona
como uma “coceira subjetiva”, é algo que começa pequeno e vai crescendo até se
tornar insuportável o suficiente para me mobilizar em direção a manifestação de
algo que ainda está aqui dentro e não tem nome. É nesse momento que é preciso
se aliar às palavras, pois elas podem dar o contorno e a existência daquilo que
ainda não é.
As palavras são, por excelência, aquilo que dão
significado e elas têm o poder de criar. Deus fundou o mundo através da
palavra. “No princípio era o Verbo, e o Verbo
estava com Deus, e o Verbo era Deus.” João 1:1. Interessante que Deus criou o
mundo não através de um substantivo, um pronome ou um adjetivo, mas a partir de
um verbo, algo que indica movimento e ação. Enfim, não basta ser palavra, é
preciso colocar em movimento.
Que as nossas palavras sejam mais verbos
do que substantivos e que elas não apenas deem nome, mas movimentem nossos
desejos a fim de que eles nos preparem para novos inícios.
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